Envelhecimento da população ativa pressiona mercado de trabalho

Equipas multigeracionais em escritório face ao envelhecimento da população ativa em Portugal

Com 21% dos trabalhadores entre os 55 e os 64 anos, Eurofirms defende outsourcing como resposta de antecipação e continuidade operacional

A Eurofirms – People first, multinacional de gestão de talento, alerta para o impacto crescente do envelhecimento da população ativa no mercado de trabalho em Portugal, sublinhando a necessidade de as empresas adotarem uma abordagem mais estratégica no planeamento da sua força de trabalho. Em 2024, 24,3% da população residente em Portugal tinha 65 ou mais anos, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, uma realidade demográfica que está a pressionar de forma direta a organização das empresas e a sua capacidade de garantir continuidade operacional. Este envelhecimento estrutural reflete-se, assim, na composição da população ativa.

Dados do Eurofound mostram um aumento consistente do índice de envelhecimento, evidenciando um desequilíbrio crescente entre gerações. Em paralelo, quase 21% dos trabalhadores em Portugal têm atualmente entre 55 e 64 anos, o que antecipa um volume significativo de saídas do mercado de trabalho nos próximos anos e reforça a urgência de planear, com antecedência, a substituição progressiva da força laboral.


Que setores são mais afetados pelo envelhecimento dos trabalhadores em Portugal?

A Eurofirms identifica a saída de profissionais seniores como um dos principais riscos para as organizações, sobretudo em setores como logística, produção e indústria. Em muitos casos, estes profissionais desempenham funções de chefia intermédia e são referências operacionais, concentrando conhecimento profundo dos processos e das dinâmicas internas. A sua substituição é particularmente complexa, não apenas pela escassez de talento disponível, mas pela dificuldade em recriar competências comportamentais e de liderança desenvolvidas no terreno.

“A experiência da Eurofirms junto das empresas mostra que a saída progressiva destes profissionais está a tornar-se cada vez mais visível, sobretudo em contextos operacionais, mas o mercado de trabalho ainda não está suficientemente preparado para esta transição. Falamos de pessoas com conhecimento profundo das operações e, muitas vezes, com responsabilidades de liderança no terreno. Antecipar esta realidade é essencial num contexto em que a escassez de talento disponível e a pressão sobre as operações já são desafios concretos para muitas organizações”, destaca Filipe Ramos, National Leader Outsourcing da Eurofirms Portugal.


Escassez de talento aumenta pressão operacional

O envelhecimento da população ativa ocorre num mercado já pressionado pela redução da população disponível e por dificuldades crescentes no recrutamento de perfis com as competências procuradas. Esta pressão é especialmente sensível em funções operacionais, onde a continuidade do serviço é crítica e onde a ausência de planeamento pode gerar ruturas difíceis de colmatar. A diminuição da população ativa, associada a maior absentismo e rotatividade, obriga as organizações a repensar os seus modelos de gestão.


Como antecipar a saída de profissionais seniores do mercado de trabalho português?

Para a Eurofirms, o planeamento ativo da força de trabalho assume hoje um papel central. Antecipar saídas, identificar funções críticas e preparar a sucessão são fatores determinantes para mitigar o impacto do envelhecimento demográfico. Neste contexto, o outsourcing afirma-se como uma ferramenta estratégica, permitindo compensar a perda de perfis experientes, aceder a redes alargadas de profissionais e beneficiar da capacidade de mobilização de um parceiro especializado em recursos humanos.


Valorização da experiência e requalificação como resposta sustentável

A aposta em programas de upskilling e reskilling surge também como uma resposta estrutural à escassez e à saída progressiva de profissionais seniores. Valorizar a experiência acumulada e adequar funções às diferentes fases da vida profissional permite conciliar eficiência operacional com sustentabilidade social, em linha com a abordagem People first.

“O contexto demográfico obriga as empresas a passar de uma lógica reativa para uma abordagem de antecipação. O outsourcing, quando bem estruturado, permite mitigar a escassez de profissionais, preservar conhecimento crítico e adequar funções às diferentes fases da vida profissional, conciliando eficiência operacional com uma abordagem centrada nas pessoas”, conclui Filipe Ramos.